domingo, 30 de outubro de 2011

Com o auxilio de programas sociais jovens da classe C chegam à universidade

Dados do MEC (Ministério da Educação) revelam que cresceu o número de jovens da classe C no ensino superior. Esse acesso aumentou devido ao Prouni (Programa Universidade Para Todos), considerado pelo órgão “o maior programa de bolsas de estudo da história da educação brasileira”. De 2005 a 2009, o ProUni ofereceu quase 600 mil bolsas de estudo em aproximadamente 1,5 mil instituições de ensino em todo o país.
Tatiane Viana, de 21 anos, estudante de psicologia e bolsista do programa relata: “Se não fosse pelo Prouni, eu não teria chegado à faculdade, minha mãe é empregada doméstica, com a renda dela mal dá  para comer, imagine chegar à faculdade. É por isso que aproveito o máximo que posso, tenho certeza de que existem vários outros que gostariam de viver o que eu estou vivendo nesse momento – o sonho de uma vida melhor que começa com meu acesso à faculdade”.
O programa inclui iniciativas como a concessão de um auxílio de R$ 300 para alunos com bolsa integral matriculados em cursos com carga horária de pelo menos seis horas diárias (bolsa permanência). Os bolsistas também têm prioridade no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do MEC e um convênio firmado com a Caixa Econômica Federal (CEF) para oferta de estágios a beneficiados pelo projeto.

Baseando-se na qualidade do ensino público brasileiro, a eficácia do Prouni é criticada por alguns, como comenta a estudante Sabrina Pontilhão de Almeida, de 17 anos. “Estou terminando o ensino médio agora, mas não sei se vou fazer faculdade. Trabalho desde os 16 anos e estudo desde sempre em escola pública, mas a qualidade de ensino não é igual à de quem tem condições de estudar em escolas particulares e que não precisa trabalhar. Então mesmo com o Prouni imagino que seja difícil chegar e manter-se na faculdade.”
Os requisitos para obter a bolsa do programa são: ter prestado o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e obtido, na prova escrita e na redação, nota média igual ou superior a 45; ter renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 817,50, em valores de hoje), para concorrer à bolsa integral; ter renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.635), para concorrer à bolsa parcial de 50%; ter cursado o ensino médio em escola pública, ou o ensino médio em escola privada com bolsa integral, ou ser portador de deficiência física.
Quem conhece bem o programa sabe que ainda não é o sufiente nem perfeito, mas reconhece que é uma das portas de entrada para a mudança no quadro da educação brasileira. A turismóloga Camila Queiroz, de 24 anos,formada pela universidade Anhembi-Morumbi e bolsista da primeira turma do programa lembra:“Nem sempre conseguimos a bolsa onde queremos estudar, tem o problema da distância,às vezes há discriminação por ser bolsista. Mas nada se compara à emoção de saber que você conseguiu entrar na faculdade, sair dela e cair no mercado.Isso só me leva a torcer para que, assim como o Prouni, venham outros programas que permitam a outros jovens chegarem aonde cheguei”.
Até agosto de 2010, as universidades federais ofereciam 113 mil vagas gratuitas e contabilizavam que os investimentos teriam passado de 20 bilhões para 60 bilhões durante o governo Lula, prometendo aumento das vagas para 250 mil até 2014.
Caroline Santos

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